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Mama e Tórax

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Reconstrução mamária

   Actualmente a reconstrução mamária após a mastectomia é parte integrante dos cuidados de saúde que devem ser oferecidos a uma doente oncológica, apenas devendo ser excluída quando a doente exprime a sua vontade em não a realizar. Isto deve-se ao facto de haver disponibilidade de se poder efectuar uma melhoria significativa da qualidade de vida da doente, havendo presentemente grande confiança em relação a um resultado bastante satisfatório, em comparação com a situação de ausência de mama. A calendarização da cirurgia deve respeitar os tempos de tratamento oncológico, nomeadamente ao que diz respeito à necessidade de quimioterapia ou radioterapia, sendo que esta última resulta quase sempre numa perda de qualidade dos tecidos.

 

 

   Quanto às opções terapêuticas, a reconstrução com tecidos autólogos resulta no melhor resultado estético, conferindo uma nova mama de forma e consistência mais próximas da original e mantendo a simetria a mais longo prazo, podendo acompanhar as alterações ponderais da paciente. É dada preferência à reconstrução que recorre aos tecidos abdominais como zona dadora, especialmente o retalho livre DIEP (mas também o TRAM nalguns casos), mas também podemos optar por outros retalhos, como o retalho pediculado miocutâneo grande dorsal. A vantagem dos retalhos abdominais é que têm uma textura mais próxima da textura da mama, o resultado obtido na barriga em quase tudo se assemelha a uma abdominoplastia estética (embora a cicatriz por vezes não possa ser tão próxima do púbis, mas ainda dentro da roupa interior) e, no caso do DIEP, a perda de resistência da parede abdominal é muito reduzida, pelo que o risco de hérnias e perda de força abdominal é minimizado. Já o retalho grande dorsal usa como zona dadora a pele e músculo das costas, sendo uma técnica de recurso em casos de revisão ou quando os tecidos abdominais não podem ser usados; é um procedimento com grande fiabilidade, embora normalmente os resultados estéticos das técnicas com tecido abdominal sejam superiores. Pela complexidade destes procedimentos, o internamento prevê-se de, pelo menos, 3 dias. O retorno à actividade profissional pode demorar algumas semanas, e os esforços apenas passado 6 semanas. Os resultados tendem a ser muito duradouros.

 

 

   No entanto, nem todas as pacientes têm indicação para a reconstrução apenas com tecidos autólogos, quer pela presença de cicatrizes na região do retalho, prévia lesão do pedículo, grande obesidade, presença de comorbilidades significativas ou desejo da doente em procedimentos que não requeiram tempos operatórios longos. Temos então como alternativa a reconstrução com expansor e prótese, que é a técnica mais usada em Portugal. Confere bons resultados, principalmente quando a mama contralateral tem dimensões reduzidas e sem grande ptose (“queda”), e quando se programa também uma mamoplastia de simetrização contralateral. O requisito para um resultado satisfatório é a existência de tecidos de qualidade que permitam revestir a prótese, que é colocada em plano submuscular. Este tipo de técnicas geralmente requerem um internamento de 1 a 2 dias. O retorno à actividade profissional demora cerca de 2-3 semanas, e os esforços apenas passado 6 semanas. Os resultados, embora geralmente bons, podem necessitar de revisão a muito longo prazo, geralmente em casos de pacientes mais jovens que ainda têm uma elevada esperança de vida, em que as complicações inerentes ao uso de prótese podem surgir, tais como a contractura capsular, assimetria ou falência da prótese.

 

 

   A reconstrução do complexo aréolo-mamilar é efectuada num tempo operatório posterior, permitindo a determinação da posição e forma definitiva da neomama após o processo de cicatrização. O recurso a tecidos autólogos sob a forma de enxerto de mamilo contralateral ou retalhos locais (retalho “C-V”) e pele inguinal é a nossa preferência, sendo a tatuagem um complemento para estas técnicas cirúrgicas. Este procedimento pode ser realizado em ambulatório, e o retorno à actividade profissional demora cerca de 2-3 semanas, e esforços físicos às 5-6 semanas.

 

 

   A lipoenxertia (“lipofilling” ou preenchimento com enxerto de gordura) é uma grande arma para a correcção de pequenas deformidades e pode ser realizada nos tempos operatórios de reconstrução mamária ou como procedimento isolado para aprimorar o resultado final. A gordura é colhida de outras zonas do corpo, como a barriga ou coxas, preparada e aplicada na nova mama.

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