Fenda do lábio (lábio leporino) e do palato
Fenda do lábio (lábio leporino)
Reconstrução do lábio e da função muscular
O que é?
A cirurgia plástica pediátrica, em particular a cirurgia da fenda do lábio e do palato, é uma das áreas de especial interesse do Dr. João Nunes da Costa.
A fenda do lábio, também conhecida como lábio leporino, é uma condição congénita que pode incluir igualmente uma fenda do palato, constituindo uma fenda labioalveolopalatina. Na maioria dos casos não está associada a outras patologias, embora algumas síndromes possam incluir esta alteração. A fenda pode existir apenas de um lado (unilateral) ou dos dois lados (bilateral), e pode ser completa, envolvendo todo o lábio e a base da narina, ou incompleta.
Por poder dificultar a alimentação e ter repercussões funcionais e psicossociais, a correção é habitualmente realizada por volta dos 3 meses de idade. Nos bebés prematuros pode ser necessário aguardar algumas semanas. Nesta fase, as estruturas do lábio já têm dimensão suficiente para uma abordagem eficaz e o risco anestésico é inferior ao do período neonatal. As técnicas atuais procuram reconstruir as unidades anatómicas do lábio, com especial atenção à simetria e à função do músculo orbicular dos lábios.
A gengiva e o rebordo alveolar podem também estar afetados, existindo uma fenda óssea entre os dentes. Por volta dos 9–11 anos, esta situação pode ser tratada através da transferência de osso de outra região do corpo, habitualmente da bacia, para favorecer o desenvolvimento dentário. O acompanhamento dentário e ortodôntico é essencial.
A alteração do lábio associa-se frequentemente a uma deformidade nasal. Pode ser realizada uma abordagem inicial durante a correção do lábio, mas é frequentemente necessária uma rinoplastia formal no final da adolescência ou no início da idade adulta. Quando existe hipoplasia maxilar ou má oclusão, a cirurgia ortognática pode ter de ser realizada antes da rinoplastia.
Procedimentos que se podem associar
Fenda do palato
Reconstrução do palato e da função da fala
O que é?
A fenda do palato consiste num defeito no “céu da boca” que permite a comunicação entre a cavidade nasal e o interior da boca, podendo causar problemas importantes à criança, nomeadamente:
- Dificuldade na alimentação, incluindo a saída de alimentos pelo nariz e problemas de sucção do biberão.
- Alterações importantes da capacidade física de falar, incluindo dificuldade em produzir alguns sons, voz nasalada e emissão de ar pelo nariz durante a fala, com repercussões na expressão e na relação com os outros.
A fenda do palato é uma condição congénita que pode incluir também a fenda do lábio. Na maioria dos casos não está associada a outras patologias, embora algumas síndromes possam apresentá-la como uma das suas características. A fenda pode estender-se do lábio ao palato, envolver a maior parte do palato ou afetar apenas a região posterior, incluindo o palato mole e a úvula.
Mesmo as fendas de menores dimensões podem originar problemas semelhantes na fala, porque os músculos que produzem as variações de som do discurso se localizam na região posterior do palato, perto da garganta.
A correção implica tanto o encerramento da comunicação entre a boca e a cavidade nasal como a reorientação dos músculos responsáveis pela fala. A cirurgia é idealmente realizada entre os 9 e os 12 meses, antes do início da fala do bebé, numa fase em que o risco anestésico é menor e as estruturas já têm dimensão suficiente para serem mobilizadas de forma eficaz e segura.
O tratamento não termina com a cirurgia. É necessário acompanhamento prolongado e terapia da fala para potenciar os resultados. A avaliação por videofluoroscopia pode estar indicada a partir dos 3–4 anos para identificar alterações do funcionamento do palato que possam justificar uma revisão cirúrgica, como a insuficiência velofaríngea.
Rinoplastia em sequelas de fenda
Correção da deformidade nasal associada à fenda
O que é?
A fenda do lábio origina frequentemente deformidades do nariz que podem ser melhoradas através de rinoplastia. Entre as alterações mais comuns encontram-se uma base nasal larga, a ponta nasal descaída, o desvio lateral, a falta de suporte da narina do lado da fenda e cartilagens frágeis ou mal posicionadas.
A rinoplastia aberta implica uma pequena cicatriz na columela, a pele situada entre as narinas. Nos casos complexos associados a fenda, esta abordagem proporciona uma visualização e um controlo das estruturas superiores aos obtidos com uma abordagem fechada.
Quando está indicada cirurgia ortognática para corrigir a hipoplasia maxilar ou a má oclusão, esta deve ser realizada antes da rinoplastia, porque altera por si própria a forma e a posição do nariz.
Perguntas frequentes
Respostas a dúvidas frequentes de pais, cuidadores e pacientes sobre a fenda do lábio, a fenda do palato e a rinoplastia em sequelas de fenda.
O que é uma fenda do lábio?
É uma condição congénita em que as estruturas do lábio superior não se uniram completamente. Pode existir isoladamente ou associada a uma fenda do palato.
A fenda do lábio pode afetar um ou os dois lados?
Sim. Pode ser unilateral, quando afeta apenas um lado, ou bilateral, quando afeta os dois. Pode ainda ser completa, envolvendo todo o lábio e a base da narina, ou incompleta.
Quando é habitualmente realizada a cirurgia da fenda do lábio?
A correção é habitualmente realizada por volta dos 3 meses de idade. Nos bebés prematuros pode ser necessário aguardar algumas semanas, de acordo com a avaliação clínica.
Qual é o objetivo da cirurgia da fenda do lábio?
O objetivo é reconstruir as unidades anatómicas do lábio, restabelecer a continuidade dos tecidos e procurar melhorar a simetria e a função do músculo orbicular dos lábios.
A fenda do lábio pode afetar a gengiva e os dentes?
Sim. Pode existir uma fenda no rebordo alveolar, com ausência de osso entre os dentes. Esta situação pode exigir enxerto ósseo por volta dos 9–11 anos e acompanhamento dentário e ortodôntico.
O nariz também pode ser afetado pela fenda do lábio?
Sim. Pode existir deformidade nasal associada. Pode ser feita uma abordagem inicial durante a correção do lábio e, mais tarde, uma rinoplastia formal.
O que é habitual esperar da cirurgia e do internamento para correção do lábio?
A reparação é realizada sob anestesia geral. Em muitos centros, a cirurgia demora cerca de 1–2 horas e o internamento é de aproximadamente 1–2 dias, embora o plano varie com a extensão da fenda e o estado clínico da criança. Fica uma cicatriz no lábio, que tende a tornar-se menos visível com o tempo.
O que é uma fenda do palato e como pode afetar a alimentação?
É uma abertura no “céu da boca” que permite a comunicação entre a boca e a cavidade nasal. Pode dificultar a sucção e permitir que leite ou alimentos saiam pelo nariz.
Como pode a fenda do palato afetar a fala?
Pode dificultar a produção de determinados sons, causar voz nasalada e permitir a saída de ar pelo nariz durante a fala. Estas alterações relacionam-se com o funcionamento dos músculos da região posterior do palato.
Todas as fendas do palato têm a mesma extensão?
Não. Podem estender-se do lábio ao palato, envolver a maior parte do palato ou afetar apenas a região posterior, incluindo o palato mole e a úvula. Mesmo fendas pequenas podem comprometer a função muscular necessária para a fala.
Quando é idealmente realizada a cirurgia da fenda do palato e qual é o seu objetivo?
É idealmente realizada entre os 9 e os 12 meses, antes do início da fala. Procura encerrar a comunicação entre a boca e o nariz e reorientar os músculos do palato responsáveis pela fala.
O tratamento da fenda do palato termina com a cirurgia?
Não. É necessário acompanhamento prolongado, incluindo terapia da fala. A videofluoroscopia pode estar indicada a partir dos 3–4 anos quando existem sinais de insuficiência velofaríngea ou necessidade de avaliar uma possível revisão cirúrgica.
Porque deve a audição ser acompanhada nas crianças com fenda do palato?
Estas crianças têm maior probabilidade de desenvolver otite média com efusão, conhecida como “ouvido de cola”, que pode reduzir a audição e interferir com o desenvolvimento da fala. São importantes avaliações auditivas regulares e, quando necessário, tratamentos como tubos de ventilação ou aparelhos auditivos.
O que se pode esperar da cirurgia e da recuperação inicial da fenda do palato?
A cirurgia é realizada sob anestesia geral, demora frequentemente cerca de 2 horas e pode exigir 1–3 dias de internamento. Nos primeiros dias pode existir dor, inchaço e alguma dificuldade em alimentar-se. É habitual usar alimentação macia e proteger a reparação de alimentos duros, chupetas, dedos ou objetos, segundo as instruções da equipa. Os riscos incluem hemorragia, infeção, dificuldade respiratória transitória por inchaço e abertura parcial da reparação ou formação de uma pequena fístula, que por vezes exige nova cirurgia.
Que alterações do nariz podem persistir após uma fenda do lábio?
Podem persistir uma base nasal larga, ponta descaída, desvio lateral, falta de suporte da narina do lado da fenda e cartilagens frágeis ou mal posicionadas.
Quando pode ser considerada uma rinoplastia formal em sequelas de fenda?
A rinoplastia formal é frequentemente considerada no final da adolescência ou no início da idade adulta, depois de concluídas as principais fases do crescimento e do tratamento dentofacial.
Porque pode ser escolhida uma rinoplastia aberta e onde fica a cicatriz?
A abordagem aberta permite visualizar e controlar melhor as estruturas num nariz com alterações complexas relacionadas com a fenda. Implica uma pequena cicatriz na columela, entre as narinas.
Porque deve a cirurgia ortognática, quando indicada, ser realizada antes da rinoplastia?
A cirurgia ortognática corrige alterações do maxilar e da oclusão dentária e modifica a forma e a posição do nariz. Realizá-la primeiro permite planear a rinoplastia sobre uma base facial já corrigida.
Pode ser necessária mais do que uma cirurgia do lábio ou do nariz ao longo do crescimento?
Sim. Podem ser consideradas intervenções secundárias quando persistem assimetria, alterações musculares, cicatrizes, deformidade nasal ou problemas funcionais. A decisão e o momento devem ser individualizados, evitando revisões desnecessárias que aumentem a cicatrização e a carga do tratamento.
Quais são os riscos e a evolução habitual após uma rinoplastia em sequelas de fenda?
É habitual ocorrer inchaço, equimoses e obstrução nasal temporária; o contorno pode continuar a definir-se durante vários meses. Entre os riscos possíveis encontram-se hemorragia, infeção, dificuldade respiratória, alterações da sensibilidade ou do olfato, cicatrização desfavorável, perfuração do septo e necessidade de cirurgia de revisão. Num nariz previamente operado e associado a fenda, a recuperação e os riscos devem ser discutidos individualmente com o cirurgião.
Esta informação é geral e não substitui uma avaliação médica individualizada.